15/7/2010 - Nove lições para enfrentar os grandes  
  1/7/2010 - Estruturar as vendas  
  30/6/2010 - Aprenda a Desaprender  
  Home Artigos Contato  
   
 

Nova geração de empreendedores transforma a periferia brasileira.

Fontes de Referência

 

- Sebrae

- Gazeta Mercantil

- OESP

- Revista Exame

- Revista Venda Mais

 

Depois de anos sem descanso, o empresário cearense Afonso Gonçalves tirou dez dias de férias. Do seu sítio, no interior de Minas Gerais, ele acompanha o movimento do seu supermercado pela internet, celular e pelo sistema interno de TV. Gonçalves, 43 anos, é dono de um supermercado na periferia de São Bernando do Campo. Há dez anos, era um vendedor ambulante. “Nunca sonhei com isso”, conta o migrante, que chegou a São Paulo no início dos anos 80 com um par de chinelos de dedo e uma mochila nas costas.

O migrante subiu na vida. Até aí, nada de novo. Mas a história de Gonçalves é reveladora de uma transformação silenciosa na periferia do País. Ele é prova de que o capitalismo também está prosperando onde (quase) não existe banco, Bolsa de Valores ou MBAs. No ano passado, o Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial detectou o fenômeno sem querer, ao fazer um estudo encomendado pela Nestlé sobre o consumo em alguns bairros pobres da Grande São Paulo.


“O fim da inflação crônica a partir do Plano Real trouxe uma grande redução da pobreza. Há uma combinação de fatores econômicos e culturais melhorando a qualidade de vida dessas pessoas”, afirma o economista Norman Gall, diretor-executivo do instituto.


Os pesquisadores se surpreenderam com o potencial empreendedor em regiões pobres de São Paulo. “Descobrimos pessoas que não foram à universidade, mas que são intuitivas, vão atrás de informação e de algum tipo de crédito, mesmo que extra-oficial, para fazer seu negócio crescer”, afirma a economista Patrícia Guedes.


O Brasil é um dos países mais empreendedores do mundo. Tem 17,5 milhões de pequenos negócios, incluindo aí até vendedores ambulantes. “O problema é que 68% dos negócios são informais”, estima o diretor técnico do Sebrae, Luiz Carlos Barboza.


Os empreendedores retratados nesta reportagem foram informais no estágio

inicial. Com muita dificuldade, romperam essa barreira e sofisticaram seus negócios para ir além da subsistência.


O acesso à informação é apontado como um dos principais motores dessa transformação silenciosa
. A informação chega com a popularização da internet, o fortalecimento de organizações não-governamentais e igrejas e até mesmo a partir de grandes empresas cada vez mais interessadas em vender para a baixa renda. “É a chamada inclusão produtiva. Uma informação, por menor que seja, significa uma grande mudança no padrão de renda”, acredita o diretor técnico do Sebrae, Luiz Carlos Barboza.


Gonçalves, o dono do supermercado, prosperou junto com sua comunidade, que, segundo ele, tem mais dinheiro para comprar produtos supérfluos.


O empresário não recebeu nada de graça. O negócio só foi adiante porque Gonçalves é um empreendedor nato, dono de uma sensibilidade que dificilmente uma grande rede varejista teria para lidar com o consumidor de baixa renda.


Ele é observador, acompanha as movimentações do varejo brasileiro, não descuida da apresentação nas gôndolas, conhece os clientes pelo nome e vez ou outra testa os hábitos deles
. Não é científico, mas funciona. Ele é do tipo que coloca margarina numa prateleira, fora da geladeira, só para ver se o cliente compra mais. “Vende muito mais rápido. O cliente tem preguiça de abrir a geladeira”, ensina Gonçalves.

 

(O Estado de S. Paulo de 21/01/2007)

 

Comentários Nível 10

A “transformação silenciosa” que o artigo aborda, é o espantoso crescimento da classe C, que em dois anos, ganhou 23,5 milhões de pessoas.

Para ter uma idéia de sua expressividade na economia do país, analisemos alguns números:

- De cada 10 computadores vendidos, 4 são comprados pela classe C;

- De cada 10 linhas de celulares, 4 estão na mão da classe C;

- De cada 10 cartões de crédito emitidos, 7 são para a classe C;

- 1 em cada 3 pessoas da classe C, tem conta bancária.

            Se este é o público alvo de sua empresa, você já deve estar sentindo o aquecimento de suas vendas. Se ainda não sentiu, veja o que está fazendo de errado e conserte o quanto antes, para não perder esta onda.

 

Outros Artigos