15/7/2010 - Nove lições para enfrentar os grandes  
  1/7/2010 - Estruturar as vendas  
  30/6/2010 - Aprenda a Desaprender  
  Home Artigos Contato  
   
 

Liderança Dentro das Empresas

 

 

A liderança no atual mundo corporativo é tema de destaque e crescente estudo. Tudo porque a figura do líder é e sempre foi fundamental nas empresas. Há uma forte relação entre desafios e conquistas e o responsável para com os resultados alcançados. Líderes se tornaram elementos-chaves na relação entre as metas e pôr em prática as estratégias para que estas sejam atingidas. Por mais que estudos apontem à direção, a ação para promover o direcionamento do grupo de pessoas envolvidas, focando suas forças para um único propósito, parece exigir a presença deste componente, tornando-o fundamental no processo.

 

Junto com esta questão está a estrutura hierárquica sobre as empresas se moldaram, baseada deste os primórdios, nos princípios militares. Gradativamente sua formatação original está se alterando para atender à demanda de eficiência total e a apresentar resultados positivos no menor prazo, dentro de uma realidade de respeito ao meio ambiente e às pessoas. Há uma crescente preocupação em atender melhor o público interno. Não que as empresas estejam mudando para um perfil benevolente, mas como forma de serem mais eficientes. Hoje já é tido como certo que um bom ambiente de trabalho produz melhores resultados. Como então promover um bom ambiente de trabalho? Esta é mais uma ação da responsabilidade do líder.

 

Líder: o que se espera dele? Onde encontrá-lo?

 

É esperado do líder que ele tenha habilidade para controlar suas emoções; inspirar e criar um clima de cooperação e confiança; unir pares e subordinados; influenciar e persuadir; estar preparado para tensões, conflitos e problemas e resolver as diferenças; estar preparado para dar um senso de proteção, ajudar a comunicar e entender por que a mudança é necessária. A competência de atuar dentro de um grupo, entendê-lo, persuadi-lo para torná-lo uniforme e direcioná-lo em torno de um propósito maior materializando tudo em resultado, identifica não apenas a capacidade esperada para um líder, mas também, a habilidade exigida dele no gerenciamento de pessoas.

 

Encontrar a pessoa certa para a situação é sempre motivo de controvérsias. Pessoas que se destacam em determinada função acabam, às vezes, apresentando total incompatibilidade quando passam a exercer cargos de liderança. A conjuntura muda e a pessoa passa, além de ter que controlar os processos, a se responsabilizar por um grupo de pessoas, que é muito mais complicado e exige habilidades, como James Hunter já identificou em seu livro “O monge e o executivo”.

 

Mas há alguma fórmula para se acertar na escolha? Saber se uma pessoa que demonstra aptidão em determinada circunstância terá o mesmo desempenho em outra será sempre uma incógnita. As pessoas são geralmente compostas de elementos de probabilidades e incertezas e suas atitudes não são oriundas de uma equação que possibilite antever qual será o resultado. Na verdade, é possível apenas esperar. Como num jogo de futebol, muitas vezes só se terá certeza do resultado com o apito final do juiz. Sendo assim, é pouco provável que, mesmo que alguém seja “colocado” como líder, seja esperado algo diferente dele em comparação com outra pessoa que já tenha demonstrado tal capacidade.

 

Identificar a capacidade de cada um é fundamental para a seleção das pessoas certas, mesmo assim, toda decisão de escolha tem seu grau de risco. Técnicas poderão minimizar, mas jamais eliminar as incertezas. Jack Welch, considerado uma lenda viva que se tornou conhecido pelas mudanças corporativas que implantou, ao contrário que muitos imaginam, sempre fez parte da GE, e é cria da casa, vindo de dentro da empresa, dentro de uma cultura que propicia a formação interna de suas próprias lideranças. Por outro lado, também se espera certo discernimento da pessoa que está almejando a liderança, já que para isto acontecer, ela deverá passar por uma preparação anterior.

 

Liderança verdadeira.

 

Liderança dentro das organizações é um processo de conquista gradativa onde esta condição é permanentemente testada. O líder tem que saber conduzir seu grupo, porém, de nada lhe adiantará esta capacidade se não houver resultados. Ninguém atinge uma liderança sem ter que passar por “testes” regulares de aptidão. É na prática, no dia-a-dia que ele floresce ou, gradativamente perde força e sucumbe. Líder é também uma condição de estar e não apenas de ser.

 

Muitos fatores dentro, das empresas, podem realmente proporcionar o surgimento das lideranças. O líder é cercado de um sentimento verdadeiro que o conduz à frente, atuando como elemento concreto e tangível, no qual possam se espelhar os subordinados e os aspirantes a líder. Mesmo que haja um fomento para o desenvolvimento natural de lideranças, há a necessidade de se querer ser líder. Moldar alguém sem que este sentimento faça parte de um desejo interior poderá não resultar no esperado. Liderança ainda é um processo que nasce de dentro para fora.

 

John Kotter em seu livro “Liderando Mudanças” faz uma previsão do novo perfil do líder para o século XXI, chamando de “líderes notáveis”, já que “desenvolvem suas aptidões através de um aprendizado vitalício, pois esse padrão está sendo cada vez mais recompensado por um ambiente de rápidas mudanças”. Ser líder, portanto, é estar em contínuo aprendizado, atento as mudanças e pronto para evoluir. O líder deverá ser uma pessoa com o pensamento sempre à frente dos demais.

 

Ser líder não é apenas estar à frente de um grupo, mas ter seguidores. Entende-se liderança como um processo de elevação, no qual o desejo coletivo está presente, mesmo que haja um trabalho corporativo por trás, onde a busca de resultados calcada no lucro seja a linha mestra. Mesmo nesses casos, o princípio coletivo ainda se sobressai e dignifica a participação do líder. Ao fugir do bem-estar coletivo a pessoa volta à sua condição normal, já que transgride o desejo maior do grupo. As pessoas que quebram ou não agem sob está regra máxima não são verdadeiros líderes, mas pessoas com uma grande capacidade de persuasão que elevam ao máximo o seu desejo pessoal manipulando as demais pessoas para a sua autorrealização. Não há cursos nem metodologias capazes de transformar, alguém que não queira, em um líder. Liderança é abnegação, é renúncia dos seus anseios em prol de um grupo, de uma coletividade. Liderança é assumir compromisso com os demais e, depois, consigo mesmo, sem deixar de cumpri-los.

 

Jamir Booz – consultor da Nível 10 Consultoria.

Outros Artigos