Esta pergunta talvez poucos já tenham feito a si mesmo, mas estamos vivendo num mundo tecnológico, onde a informação é instantânea e tudo acontece numa velocidade jamais vivida anteriormente. A agilidade adquirida, porém, traz uma conta: a obsolescência. Tudo fica arcaico muito rapidamente, e isto inclui as profissões. Alguns ainda devem se recordar do ditado popular “em casa de ferreiro, espeto de pau”. Por acaso, alguém conhece um ferreiro? Talvez em poucos espaços eles ainda sobrevivam, mas é certo que são atualmente em número reduzidíssimo e com viés de baixa. O que já foi uma profissão de extrema importância, hoje, parece antiquada.
Raul Seixas, desde os anos 70, já preferia ser uma “metamorfose ambulante”. Como uma previsão futurista para a necessidade atual de mudança, adequação e atualização em praticamente todos os setores da sociedade, já que quase tudo ficou “muito mais rápido” frente ao que existia antes. Com o advento da tecnologia o mundo das profissões também sofreu, sofre e sofrerá alterações, algumas profundas, outras, não terão nem esse privilégio e irão direto a óbito.
No final de junho de 2009 a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), virou mais uma página e transformou os operadores no pregão viva-voz (aquele onde os operadores aos gritos davam os lances e negociavam desesperadamente) em parte da história do mercado de capitais do País. No auge, o pregão viva-voz chegou a ter mais de 2 mil operadores, mas a modernidade fez com que gradativamente as operações migrassem para o ambiente eletrônico. Logo, os operadores foram perdendo seu espaço e importância.
Não há uma data exata para o surgimento de uma profissão e o encerramento do ciclo de outra. O que acontece é que algumas delas começam a ficar em desuso. Algumas permanecem por mais tempo por uma questão regional e também por estarem muito ligadas ao próprio nível de desenvolvimento local. Se há algum tipo de demanda a sobrevivência da profissão ainda é possível.
Fazer um levantamento das profissões que já não existam mais ou que caíram em desuso é puro exercício de história e não é este o objetivo aqui. Mesmo assim, não deixa de ser interessante destacar algumas delas como de amolador, datilógrafo, telegrafista, chapeleiro, alfaiate, sapateiro, barbeiro, caldeireiro, carvoeiro, litógrafo, relojoeiro, além da já citada de ferreiro. Outras, segundo analistas de RH, que já seguem o mesmo caminho são as de arquivista, carteiro, corretor de imóveis, telefonista, caixa de banco e secretária. Se você sentiu certo desconforto ao ler este parágrafo, talvez tenha chegado o momento de repensar sua profissão.
Por outro lado, profissões surgiram e outras, estando ainda em fase embrionária, já são esperadas e consideradas fundamentais na nova formatação para a qual a sociedade caminha. Falar em programador ou web designer hoje é comum e todos reconhecem a necessidade desses profissionais no dia-a-dia. O advento mundial da internet abre regularmente espaço para o surgimento de novas profissões, além de segmentos que estão se fortalecendo, como as ONGs – Organizações Não-Governamentais, e voltados a Terceira Idade (o aumento da expectativa de vida abre novas oportunidades para profissionais qualificados).
De certa forma as profissões futuras caminham para as especializações – aqueles que têm um amplo conhecimento sobre uma parte específica. Enquadram-se nessa linha os ramos de energia, inteligência, convergência digital, água (aquaculturista, hidrólogo, recursos hídricos), especialistas em desastres, epidemias, designers (alguns como eletrônico, sound, life), além de gestor de cidades e políticas públicas. O número realmente é amplo e novas especializações ainda deverão surgir em curto espaço de tempo. Para quem está ainda na fase de entrada no mercado de trabalho e escolha da profissão, as carreiras tradicionais, como medicina (física médica), direito (biotécnica, direito eletrônico, administração legal) e engenharia (alimento, meio ambiente, tecnologia), mantém-se em alta com a abertura de especializações em novas áreas.
Realmente tentar manter viva uma profissão não depende apenas do querer. Se a profissão não puder passar por um upgrade, um processo de adequação ou se enquadrar dentro da nova e atual realidade, seu espaço realmente estará se restringindo. Se a teoria de Darwin, da evolução das espécies, também puder ser aplicada nas profissões é improvável que ocorra um retrocesso, há não ser que o mundo venha a entrar numa nova fase, voltada à nostalgia e reintroduza conceitos que entraram em desuso, sucumbiram ou já caducaram. Quando se trata de analisar o comportamento do ser humano, observações nunca são demais, até porque, a profissão de prostituta, nunca precisou passar por um upgrade ou qualquer tipo de adequação e já existe há pelo menos 2 mil anos (tem registro dela na Bíblia para quem ainda tem duvida).
Jamir Booz – consultor da Nível 10 consultoria.